Morte de ator de 20 anos durante sono gera alarde sobre algo pouco falado: o que é SUDEP?

A notícia da morte de Cameron Boyce pegou todos de surpresa. Aos 20 anos, o ator conhecido por seu papel no filme “Descendentes”, da Disney, foi encontrado desacordado em casa e, de acordo com um comunicado emitido por um porta-voz da família e divulgado pelo site da revista norte-americana “People”, o falecimento foi decorrente da epilepsia com a qual ele convivia.

Ainda que não haja qualquer confirmação da família de que este seja o caso, a notícia desperta uma questão importante: as discussões sobre a chamada SUDEP.

A SUDEP, sigla para “Sudden Unexpected Death in Epilepsy” (ou “Morte Súbita Inesperada em Epilepsia”), designa a morte súbita que acontece em decorrência dessa doença, sem que haja no pós-morte evidências anatômicas ou toxicológicas que justifiquem o falecimento – e, ao mesmo tempo em que ela não é tão discutida com portadores de epilepsia e suas famílias, falar sobre isso pode ajudar a salvar vidas.

Epilepsia e a SUDEP

A epilepsia é, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma doença crônica que afeta as descargas elétricas típicas do funcionamento cerebral. Para algumas pessoas – e devido a algumas causas possíveis -, essas descargas elétricas ocorrem de maneira incomum ou excessiva, fazendo com que o corpo sofra convulsões.

A intensidade e a forma como essas convulsões ocorrem variam de acordo com a parte do cérebro que é afetada, podendo se apresentar tanto como breves lapsos de atenção ou espasmos musculares até períodos mais prolongados que envolvem movimentos involuntários do corpo inteiro, perda de consciência e de controle de órgãos como o intestino e a bexiga (chamadas tônico-clônicas generalizadas, que são a forma que a maioria das pessoas imagina quando pensa em convulsões).

Convulsionar uma vez, porém, não significa ter epilepsia, já que o diagnóstico da doença vem a partir de duas ou três ocorrências de convulsões. Ainda de acordo com dados da OMS, as estimativas são de que, a cada mil pessoas, quatro a dez delas convivam com a doença – além de haver cerca de 5 milhões de novos casos diagnosticados a cada ano.

Embora as causas deste mal súbito ainda sejam relativamente misteriosas, Scorza afirma que há alguns fatores de risco. De acordo com ele, um número alto de crises epiléticas – especialmente as tônico-clônicas generalizadas, que envolvem perda de consciência e espasmos violentos -, a ocorrência de crises noturnas, o fato de a doença ter se manifestado antes dos 16 anos, a presença dela por mais de 15 anos e a mudança frequente de medicação para controlá-la podem favorecer a SUDEP.

Segundo a OMS, 70% das pessoas que vivem com epilepsia podem se tornar livres de convulsões caso utilizem de maneira apropriada os medicamentos anticonvulsivantes. Em alguns casos, quando o paciente passa dois anos sem crises da doença, é possível inclusive descontinuar o uso dos remédios e, para pacientes que não respondem bem a medicamentos, pode ser recomendada uma neurocirurgia específica para o problema.

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