Três em cada quatro professores no Brasil defendem a IA como ferramenta de ensino

Três em cada quatro professores no Brasil demonstram apoio ao uso da inteligência artificial (IA) como ferramenta de ensino. Dizem também que a tecnologia tem impactado a educação tanto de forma positiva, com acesso mais rápido à informação, quanto de forma negativa, à medida que os alunos perdem o foco.

Os dados constam de uma pesquisa inédita do Instituto Semesp, entidade que representa as instituições de ensino superior. O estudo foi realizado entre os dias 18 e 31 de março com 444 professores de escolas públicas e privadas, da educação infantil ao ensino médio, localizadas em todas as regiões do Brasil.

No estudo, 74,8% dos entrevistados concordam parcial ou totalmente com o uso da inteligência artificial no ensino. Apesar disso, pouco mais de um terço (39,2%) deles afirmou sempre utilizá-lo como ferramenta de ensino.

Embora os educadores acreditem na importância da utilização da IA, também reportam problemas estruturais e pedagógicos que impedem ou dificultam a sua utilização. Outras questões foram relatadas em relação ao seu uso excessivo, especialmente por alunos. Entre esses problemas estão a falta de internet na escola, a falta de capacitação dos professores e também maior dificuldade em prender a atenção dos alunos.

“Sinto que os alunos se tornaram mais dependentes de ferramentas de investigação e de respostas imediatas e têm dificuldade em ter resiliência e paciência e agir como solucionadores de problemas”, disse um professor anónimo que participou no inquérito.

Outro disse: “A tecnologia avançou, mas às vezes o acesso a ela na escola não é satisfatório. Conexão de internet ruim. O laboratório de informática é um espaço restrito. Nenhum Microsoft Office no laboratório móvel. O uso de celulares é inviável porque os alunos não possuem internet. Agora, até a internet está restrita aos professores.”

Pouco menos de metade dos professores (45,7%) declararam que tanto professores como alunos têm acesso a computadores e à Internet onde lecionam. Outros sete por cento responderam que ainda não há acesso à tecnologia nas suas escolas.

Os professores também relatam que a tecnologia fez com que os alunos perdessem o foco. “A escola não consegue acompanhar o uso das novas tecnologias na velocidade que os alunos conseguem, o que leva a um descompasso entre a aula ministrada e a aula que os alunos desejam. O uso desenfreado das redes sociais e o elevado nível de exposição dos jovens a estas redes têm prejudicado o contacto dos professores com os alunos”, afirmou um dos professores.

Os interesses dos jovens

A pesquisa faz parte da 14ª edição do Mapa da Educação Superior no Brasil, que também analisa as carreiras mais comuns que os jovens pretendem seguir.

No ensino superior, a área de informática e comunicação é a mais procurada (30,1%), seguida da saúde e bem-estar (18,1%). A informática ocupa o topo do ranking dos programas, desejados por 11,5% dos jovens que participaram da pesquisa. Em seguida vêm Negócios (10,8%), Direito (3,8%) e Medicina (3,4%).

Informações Agência Brasil

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