Namoro: tempo de conhecer e reconhecer o outro

Tempo de namoro: tempo gostoso de conhecer a pessoa por quem, num primeiro momento, o que falou mais alto foi a paixão, mas, logo depois, deu espaço para uma vivência madura que supera o clamor quente e desmedido, que nem sempre corresponde às expectativas interiores de cada um dos enamorados.

Namoro é tempo de promessa

O convite de hoje é pensar sobre seu relacionamento de namoro: muitas pessoas o acham desnecessário; outras falam apenas no ficar; e outras querem mesmo a saciedade das sensações físicas, e é aí que mora o perigo.

Quando satisfazemos apenas o físico, nosso emocional continua “carente“. Amor vai além, e é aí que entra o tempo de namoro, tempo para conhecer não apenas o “lado feliz, lindo e amável” do outro, mas também aquelas características que nem sempre aprovamos; aquele temperamento difícil de aceitar e, muitas vezes, bem diferente da outra pessoa (e daí vêm as divergências, a nossa falta de paciência e o fim de um relacionamento).

O que fazer?

O que fazer agora? Agora, é tempo do conhecer, do compreender quem eu sou, como reajo diante das expectativas, como eu me relaciono com as diferenças individuais e, nisso tudo, como eu posso trabalhar para superar a condição presente, agindo com respeito e tolerância e sabendo até onde eu desejo conviver com o outro, estendendo este namoro para um noivado e o compromisso do casamento.

O casal favorece um namoro saudável quando permite um olhar diferente para ambos; quais são os gostos comuns, as diferenças, os pensamentos sobre assuntos divergentes, aonde queremos chegar com este namoro.

Você pode estar pensando: “Então, sou obrigado a casar com a pessoa com a qual namoro?”. Não! Você não é obrigado a nada, mas sim entender e viver com seriedade essa fase que é importante, mesmo que, no final, você nem chegue a se casar com ela; entender que as diferenças são tantas e o jeito de um e do outro são tão diferentes, a ponto de esse relacionamento não ser adequado para seguir em frente.

As transformações da sociedade têm feito com que muitos valores, antes cultivados, hoje, sejam por muitas pessoas esquecidos. Tratamos as coisas de forma impessoal, individual, e com isso, sem uma reciprocidade, um cuidado nas relações humanas de forma geral.

Então, é importante perceber que quanto mais exemplos de família desestruturada temos, tanto maior a tendência de namoros que sejam pouco adequados ou de muito sofrimento.

Autoconhecimento

Acredito numa verdade que diz que o namoro compreende um estímulo direto para o autoconhecimento; é nesse tempo que, tudo aquilo que eu acredito como verdade é colocado em xeque com a verdade do outro: meus sentimentos, carências, dependências, crises, alegrias, decepções. Aí entra a força da superação, até mesmo dos traumas e dores por uma história de vida mal compreendida.

Por isso, não se deve iniciar um namoro apenas porque não se deseja ficar sozinho, sem namorado (a).

Milhares de casamentos infelizes começam dessa forma, achando “depois que casar melhora” ou “o tempo faz com que se acerte tudo”.

De fato, conhecer leva tempo, e viver debaixo do mesmo teto faz toda a diferença. Por isso, afirmo que é muito bom olhar para o namoro com maturidade, tendo conhecimento de si, aceitando o outro, vivendo a dois a experiência do amor que constrói, amadurece, faz e refaz em sua vida.

Um relacionamento maduro se faz no dia a dia e as situações positivas ou negativas surgem no relacionamento para nos amadurecer e nos colocar como um casal que deve decidir a partir dos objetivos e desejos de ambos.

O tempo de namoro é um período de promessa; promessa de um amor que amadurece com o tempo e não da noite para o dia. Fazer com que as coisas aconteçam antes do tempo é como querer superar o tempo do agora com o dia de amanhã que ainda não chegou.

Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica pela USP – Universidade de São Paulo, atuando nas cidade de São Paulo  e Cachoeira Paulista. Neuropsicóloga e Psicóloga Organizacional, é colaboradora da Comunidade Canção Nova. Site: www.elaineribeiropsicologia.com.br Facebook: elaine.ribeiropsicologia; Instagram: @elaineribeiro_psicologa

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