Vida e Saúde: Diabetes gestacional não impede parto normal

O diabetes gestacional atinge entre 3% e 8% das mulheres grávidas e a torna uma gestação de alto risco, mas essa noção vem sendo cada vez mais abandonada pelas equipes de saúde que têm optado pelo termo ‘gestação de cuidados especiais’. Além de diminuir o peso do diagnóstico e ser do ponto de vista emocional mais positiva, a expressão ainda ajuda na compreensão de que essa doença gestacional não impede o parto normal. Se no Brasil, faz-se muita cesariana sem nenhum respaldo científico é importante pontuar que o diabetes gestacional não é indicação para a cirurgia e muitas mulheres conseguem parir seus filhos apesar da doença. Para o desenrolar positivo, no entanto, é imprescindível o controle metabólico, pré-natal bem feito, exames, atividade física e dieta.

O diabetes gestacional é uma intolerância a carboidratos diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez e que pode persistir ou não após o parto. Embora esse tipo de diabetes desapareça após o nascimento do bebê, as mulheres diagnosticadas com diabetes gestacional têm entre 20% e 50% de chance de desenvolver diabetes tipo 2 em um período de cinco a dez anos depois do parto.

Ginecologista e obstetra do Instituto Nascer, Quesia Villamil explica que existe mais de uma maneira para se diagnosticar a doença e dependendo do caminho escolhido pelo especialista, os parâmetros de glicose considerados variam de um para o outro. Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o endocrinologista Rodrigo Nunes Lamounier corrobora a controvérsia na literatura médica em relação ao diagnóstico do diabetes gestacional e reforça que os valores de referência mais utilizados são os da Organização Mundial de Saúde (OMS). A recomendação OMS é administrar 75g de dextrosol em jejum e repetir a dose duas horas depois.

A curva glicêmica – nome do exame – é geralmente feita entre a 24ª e 28ª semana de gestação, mas caso a mulher tenha parente de primeiro grau que teve diabetes gestacional, o exame é solicitado já no início da gestação.

Rodrigo Nunes Lamounier explica que a grande maioria das gestantes consegue controlar a glicose apenas com dieta. “Em termos gerais, a orientação nutricional consiste em distribuir melhor os carboidratos ao longo das refeições”, diz. Além disso, as gestantes podem precisar acompanhar o nível de glicose ao longo do dia com um medidor de glicemia. Caso a alimentação recomendada associada a uma atividade física não seja suficiente para controlar os níveis de glicose, a gestante pode ter que usar insulina.

Para a obstetra e membro da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Inessa Beraldo independentemente de não existir consenso de qual o melhor método para se fazer o rastreamento de diabetes gestacional, o mais importante é diagnosticar o problema para evitar complicações obstétricas e para o neonato. “O risco de parto prematuro é seis vezes maior para as mulheres com diabetes gestacional, a mulher também tem risco aumentado de ter pré-eclampsia, feto macrossômico (quando o bebê ganha muito peso), o bebê pode ter a síndrome da angústia respiratória e precisar de UTI, além do risco de desenvolver cardiopatias”, pontua.

Segundo ela, o tratamento pautado em dieta, atividade física e medicação (insulina) quando necessário, melhora o prognóstico da gestação como um todo e diminui a chance de complicações. Inessa Beraldo explica que o ideal é que o medidor de glicose aponte, em jejum, um resultado abaixo de 90 miligramas por decilitro e que a glicemia duas horas depois do almoço se estabeleça abaixo de 120mg/dl. “Essas são as metas de controle que devem ser mantidas para diminuir o risco de complicações”, afirma.

www.saudeplena.com.br

Compartilhe

PinIt

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *