Caso Rodrigo Neto: “Morto” é acusado de assassinar repórter

acusado Após quase cinco horas de audiência de instrução sobre a morte do jornalista Rodrigo Neto de Faria, na tarde desta segunda-feira, 09/11, os advogados de defesa dos principais acusados tentam provocar uma reviravolta no caso. Os defensores alegaram a inocência de Alessandro Neves Augusto, o ‘Pitote’, como também do investigador da Polícia Civil Lúcio Lírio Leal, ambos denunciados pela morte do repórter policial. Eles apontam o fotógrafo freelancer Walgney Carvalho como autor do homicídio. A principal linha de defesa do advogado de ‘Pitote’, Rodrigo Márcio do Carmo Silva, seria uma suposta animosidade existente entre Carvalho e Rodrigo, colegas de trabalho. “O Carvalho nunca aceitou essa história do Rodrigo Neto ter ido para o jornal em que ele foi trabalhar.

‘Pitote’ nega veementemente que ele tenha participado do homicídio”, disse o advogado. A acusação quanto à autoria do assassinato atribuída a Carvalho, segundo a defesa, teria sido feita pelo próprio Alessandro. O réu contou que Carvalho, na companhia de outra pessoa cujo nome não foi revelado, é quem teria atirado contra o repórter. “O Carvalho então teria dito para o ‘Pitote’ que Rodrigo estaria atrapalhando o trabalho dele. Há nos autos evidências de que o próprio Carvalho falou que qualquer pessoa que entrasse no caminho dele ele resolveria a situação na bala”, alegou o advogado. A pessoa cujo

carvalho

Carvalho, morto um mês após o assassinato de Rodrigo Neto, agora é acusado do crime

nome não foi revelado pela defesa seria a mesma que também executou Carvalho pouco mais de um mês depois da morte do jornalista, como “queima de arquivo”. “Esta pessoa, que também era amigo de ‘Pitote’, com medo de Carvalho falar alguma coisa, provavelmente foi quem também matou o Carvalho”, afirmou o advogado de ‘Pitote’, que ainda contestou todas as provas apresentadas pela força-tarefa da Polícia Civil de BH que investigou o caso.

Provas

As principais provas apresentadas pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) foram ligações telefônicas entre Lúcio e ‘Pitote’ na hora do crime. Outra prova seria a suposta caminhonete de Lúcio que aparece nas imagens de câmeras de monitoramento. Para a Polícia Civil, a caminhonete de Lúcio estaria traçando a rota de fuga que foi feita pelos assassinos momentos depois, em uma moto. A dedução da PC é de que a moto estaria sendo pilotada por Lúcio, tendo Alessandro na garupa para a prática do homicídio. Após o crime, exatamente aos 32 minutos da madrugada, Lúcio teria realizado uma ligação do local da execução para a namorada, que está no Centro de Ipatinga, como forma de forçar um álibi. Todas as provas foram rebatidas pelo advogado de ‘Pitote’.

Segundo Rodrigo Márcio, as ligações captadas pelas antenas foram meras coincidências, já que ‘Pitote’ estava na mesma avenida que Rodrigo, porém em locais diferentes. “Alessandro estava em um barzinho na mesma avenida que o Rodrigo estava, e Lúcio mora a cerca de 400 metros do local do fato. A Polícia Civil se embasou pura e exclusivamente nestas ligações, ou seja, uma pessoa que está tanto no churrasquinho como em outro bar na mesma avenida, a captação telefônica vai ser a mesma”, defendeu Rodrigo Márcio.

Carro

Já os advogados de defesa de Lúcio Lírio, recentemente constituídos pelo réu, disseram que ainda esperam por provas que indiquem que o cliente estaria envolvido com o crime. Por enquanto, segundo o defensor Fábio Silveira, não há elementos que encaixem Lúcio na trama da morte do jornalista. “Não existe no processo nenhuma prova irrefutável contra Lúcio. No dia do crime eles trocaram de carro e ‘Pitote’ pegou a caminhonete do Lúcio para fazer transporte de um carregamento. Depois, ligou para a namorada e foi dormir”, defendeu. O advogado de Lúcio disse que por enquanto não irá pedir a revogação da prisão preventiva do cliente, “para não tumultuar o andamento processual”. Os réus foram impedidos de falar com a imprensa, mas ao final da audiência Lúcio agradeceu a presença dos jornalistas e se declarou inocente das acusações. O Promotor de Justiça que atua no caso, Francisco Ângelo Silva, disse que irá manter a denúncia inicial: a de que Lúcio e ‘Pitote’ são os autores do crime contra Rodrigo Neto. Ainda, acrescentou que irá pedir a pronúncia dos dois, ou seja, que ambos sejam levados ao julgamento popular.

Aparato de Segurança

Nitidamente par evitar conflitos e eventuais constrangimentos, a 2ª Vara Criminal da Comarca de Ipatinga organizou a audiência de tal modo que ficassem separadas, por algum tempo, as testemunhas de defesa e acusação. Parte dos depoentes ficou no salão do júri, no andar térreo, com o acompanhamento de dois militares, aguardando o momento em que seriam chamados a depor. Os depoimentos foram tomados no terceiro andar do prédio, onde já estavam as testemunhas de acusação. Ali também havia um forte aparato militar, inclusive com policiais do GATE, com armas de grosso calibre. ‘Pitote’ e Lúcio Lírio permaneceram incomunicáveis numa cela correcional, aguardando serem chamados. Do lado de fora da sala de depoimentos, havia também grande movimentação de repórteres. Por instrução do juiz Antônio Augusto Calaes, que presidiu a audiência, logo após prestarem depoimento, as testemunhas deveriam deixar o terceiro andar.

Fonte: TV Super Canal/Caratinga  – Gizelle Ferreira e Jornal Vale do Aço

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